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4 de jul. de 2011

Prólogo

A guerra se estendeu por dois séculos antes que houvesse qualquer desequilíbrio. Humanos, orcs, anões e elfos destruíam-se em fúria, mas eram apenas peões, nas mãos dos verdadeiros generais, os dragões. Havia quatro Reis Dragão, adorados como Deuses pelas raças humanóides, embora muitos alegassem que a existência de tais criaturas não passasse de uma Lenda antiga, perpetuada pelos dragões Anciãos. De fato, era tão raro avistar até mesmo um dragão ancião que muitos nem mesmo acreditavam na existência destes. Já os dragões comuns, muitos dos quais ainda eram jovens demais para ter uma mente que fosse além da de um simples animal predador, eram avistados com frequência.

Contam as histórias antigas que a guerra começou a caminhar para seu desfecho quando os orcs começaram a domar filhotes de dragões vermelhos e usá-los em combate. As outras raças tomaram tal atitude como uma ofensa que superava qualquer outra já cometida por aquele povo vil e se uniram contra eles.

Contudo, a engenhosidade dos orcs fora subestimada pelos inimigos. Sabendo que se equiparavam em combate aos humanos e os anões, mas que seu poder místico não chegava ao nível aquele dos elfos, eles sabiam qual era o primeiro inimigo que deveria cair. A estratégia militar dos orcs, na maioria dos casos se resume em derrubar o inimigo mais ameaçador primeiro. Assim, com dezenas de dragões vermelhos, cuspidores de fogo, sob seu comando a Horda Vermelha, como se auto-intitularam os orcs guerreiros, incendiaram a maior parte das florestas dos Reinos da Lua, dizimando quase todas as grandes nações élficas em menos de um mês.

O golpe cruel desestabilizou a aliança entre elfos, anões e humanos. Logo os anões começaram a domar dragões negros, do fundo das cavernas e coração das montanhas, para defender seus reinos subterrâneos das forças de invasão da Horda Vermelha. E, cada vez mais diminuíam seu apoio às raças da superfície, voltando-se à defesa de seu próprio povo. As grandes cidades humanas resistiam inabaláveis aos ataques dos orcs, conseguindo até mesmo repelir os ataques dos jovens dragões a serviço da Horda Vermelha. Porém, nas vilas e no campo, a situação era cada vez mais grave e, em poucos anos, a fome e a desesperança, alastraram-se como uma epidemia nas capitais dos homens. Os elfos, em sua grande maioria, migraram para outras terras, abandonando o continente. Ao ponto de hoje ser quase tão raro se avistar um elfo quanto um dragão adulto.

Os homens começavam a buscar refúgio no subsolo junto aos anões que durante décadas não negaram abrigo aos antigos aliados. Porém, quando o número de refugiados começou a tornar o alimento, o trabalho e o espaço nas cidades subterrâneas escassos, os anões fecharam as portas de seus reinos. Pouco se sabe do que ocorreu com os humanos abandonados à própria sorte na superfície. Boatos existem acerca de torres protegidas por poderosos feiticeiros, cidades fortalezas nas montanhas e povos nômades que vagam pelos desertos e navegam pelos grandes rios. Mas, tendo em vista a ferocidade dos orcs e os acontecimentos que se seguiram, poucos acreditam na possibilidade de sobrevivência de muitas comunidades humanas acima da superfície.

Diz-se que, neste momento em que a superfície parecia estar perdida para os orcs, a última nação élfica realizou um ato desesperado. Com a manipulação de energia dos planos inferiores, aqueles que passaram a ser conhecidos a partir desse momento como elfos negros, evocaram um exército de demônios. Comandando tal arma, em um esforço que custou a vida da maior parte de seu povo, os elfos negros devastaram grande parte da Horda Vermelha.

De acordo com A Lenda dos Dragões, foi devido ao desequilíbrio gerado pelo uso de magia negra tão poderosa que os Reis Dragão acordaram. De imediato, os orcs perderam controle sobre os dragões vermelhos, que em fúria e obediência ao Rei Dragão Vermelho, reduziram o Império Orc à pequenas tribos esparsas e desarticuladas entre si socialmente. Aos elfos, porém, o castigo foi pior. Todos os elfos foram condenados pelo Rei Dragão Verde a não envelhecer e à esterilidade. Sem a capacidade de se reproduzir os elfos viram em sua parcial imortalidade a única forma de manter sua espécie protegida da extinção e se exilaram de todas as relações com outras espécies com as quais poderiam entrar em qualquer tipo de conflito.

Os elfos que ainda permaneciam nas poucas florestas da superfície passaram a adotar diversos métodos, muitos dos quais com base em magia para proteger seus territórios. Já os elfos negros tornaram a buscaram e magia negra e a necromancia. Não obstante, com a decadência das raças civilizadas na superfície, o grande continente foi se tornando um ambiente cada vez mais selvagem e dominado por criaturas que antes eram contidas pelo poder das quatro raças humanóides.

Apesar de seus crimes terem sidos considerados menos graves pelos Reis Dragão, os humanos e os anões no subsolo sofreram significativamente quando, os outrora domesticados jovens dragões negros se tornaram ferozes e selvagens sob a influência do Rei Dragão Negro. Muitas cidades de menor porte foram perdidas e túneis com mais de 500 anos desabaram, isolando algumas das grandes cidades do submundo e dando origem a reinados distintos. Muitos dos quais viriam a guerrear entre si ao longo dos séculos que seguiram após os Reis Dragão novamente desaparecerem.

Hoje, homens e anões vivem em diversos reinos no submundo. Apenas anciãos dedicados a manter os registros históricos conhecem a maior parte da história da Guerra da Superfície e, mesmo eles, não estão certos de quais partes de fato ocorreram e quais são delírios de alguma mente desesperada em demonstrar a gravidade dos eventos. A maior parte dos cultos religiosos atuais data de épocas recentes e se baseia em divindades e dogmas tão variados e inter-relacionados que raramente é possível determinar linhas de doutrinas específicas. Muito embora, haja tamanha miscigenação, conflitos ocorrem a todo tempo, muitos deles violentos. Os Reis Dragão são ainda adorados por alguns, comumente chamados de Antigos Deuses. Contudo aqueles ligados à adoração dos Antigos Deuses são, em geral, feiticeiros, grupo rechaçado pela maior parte das demais classes do submundo, em especial por magos e guerreiros.

Apesar de o contato com a superfície não ser completamente nulo, as saídas do subterrâneo são poucas e geralmente extremamente bem guardadas pelo exército, ou milícia, locais. A exploração da superfície era pouca, resumindo-se à caça nas proximidades das entradas das cavernas e às excursões esporádicas de aventureiros em busca de itens que possam ser comercializados no submundo. Contudo, com o passar das décadas, após a diminuição dos conflitos e a unificação de diversos reinos subterrâneos sob a bandeira da Casa de Lothatyr, um período de incentivo à exploração da superfície se iniciou. Segundo muitos afirmam, devido à proximidade com o limiar de produção de alimentos e de espaço nas cidades subterrâneas. De fato, as técnicas refinadas de escavação e arquitetura dos antepassados anões perderam-se no tempo e tornou-se inviável expandir adequadamente às cidades subterrâneas. Os humanos pouco são capazes de fornecer auxílio nesse campo e em geral acabam tomando a frente das expedições de exploração da superfície, enquanto anões lançam expedições às profundezas. Enquanto a fome e o crime começam a se intensificar nos reinos subterrâneos, nem em direção aos perigos da superfície, nem aos das profundezas parece surgir alternativas aos homens e anões.

Mesmo aqueles humanos e anões que não acreditam nas lendas, amaldiçoam os orcs, os elfos negros e acima de tudo, os Reis Dragão.

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